05.10.2025 — Intoxicação por metanol acende alerta em eventos; cerimonialistas relatam mudanças em casamentos e festas corporativas

Profissionais do setor afirmam que clientes estão apreensivos e alguns eventos em São Paulo já cancelaram o serviço de bebidas destiladas.

O aumento no número de casos de notificações relacionadas à intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica tem provocado mudanças no setor de eventos, que envolve desde casamentos até festas corporativas.

Profissionais ouvidos pelo G1 relatam que os clientes estão receosos e que parte deles optou por cancelar bares com destilados ou adaptar os cardápios de bebidas.

Tamara Barbosa é assessora de eventos corporativos e diz que precisou negociar soluções diferentes para dois deles que acontecem na próxima semana na capital paulista.

“Tenho evento segunda e terça da semana que vem. O de segunda cancelou o bar. O de terça aceitou adaptar toda a carta de drinks para podermos seguir com o bar. Ou seja, trocar as bebidas que tinham destilados por outros tipos de drinks”, explicou.

Ela destacou ainda que o desafio não é apenas encontrar alternativas, mas também transmitir segurança aos convidados diante das notícias sobre a contaminação.

“Fake news atrapalharam muito a nossa vida, porque quando a gente começa a falar que confia na procedência do nosso fornecedor, aí começam a sair notícias de que até lugares de excelente procedência estavam tendo casos, e isso vira uma histeria coletiva. Não basta só a gente ter o bar montado com drinks não destilados. As pessoas precisam saber que elas estão razoavelmente seguras, dentro do que a gente sabe, para consumir o que vai ter lá”, afirmou.

Tamara ressalta ter passado a semana buscando alternativas. “Mesmo o fornecedor sendo idôneo, com nota fiscal, não é o suficiente para a gente conseguir convencer o cliente, menos ainda para o cliente convencer o convidado dele. Então, vira uma cadeia muito extensa. E o nosso papel como assessora é intermediar o interesse do cliente e ajudar a dar suporte para o fornecedor”, acrescentou.

Heloísa Hernandez Juliato é sócia da empresa Babi Leite Eventos e também conta que a preocupação dos clientes aumentou.

“Estão preocupados e com toda razão. Mas por enquanto buscamos informar que só trabalhamos com empresas que são idôneas e compram bebida diretamente de fornecedores de confiança”, disse.

E acrescentou: “Além disso, diante da situação, temos sugerido alternativas criativas para os bares dos eventos, valorizando não apenas os destilados de origem segura, mas também a elaboração de drinks à base de vinho, espumante e outras bebidas que não foram associadas a risco. Dessa forma, garantimos variedade, fica sofisticado, e acima de tudo, damos segurança aos convidados”.

Ela afirma que, até agora, não houve cancelamento de bares em casamentos assessorados pela empresa, mas a adaptação foi necessária.

“Estamos apenas aumentando a quantidade sugerida das outras bebidas, porque entendemos que terá maior saída. Mas ainda assim mantendo o bar com as garrafas garantidas diretamente de distribuidores oficiais e com nota”, completou.

A cerimonialista Mayara Zanetti, que atua no setor de eventos há 18 anos, relatou mudanças de última hora em uma festa marcada para este fim de semana em São Paulo.

“Estou organizando um aniversário para 120 pessoas em um clube no Morumbi, e foi emitida uma nota pela associação dos clubes da proibição do consumo de destilados dentro das áreas. O cliente, também por medo, acabou optando, e a gente fez o cancelamento do contrato com o bar. Tudo o que era destilado saiu, e de última hora a gente entrou com cerveja, espumante e vinhos”, contou.

Ela disse ainda que, para os próximos eventos, a exigência de comprovação na procedência das bebidas será reforçada.

“A gente busca sempre trabalhar com fornecedores de confiança, mas de todos agora estamos exigindo nota fiscal da mercadoria e bebidas lacradas para conferência. Na nota tem que ter o lote da bebida também. Acho que isso é importante e fica um alerta para todo mundo”, concluiu.

O que diz a entidade do setor

A Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta) informou em nota à TV Globo que “manifesta profunda preocupação com os recentes casos de contaminação por metanol em bebidas alcoólicas servidas em bares e eventos, com registros de óbitos em São Paulo e no ABC Paulista. Lamentamos as perdas humanas e solidarizamo-nos com as famílias afetadas“.

“Contudo, reiteramos a necessidade de uma abordagem estrutural e preventiva para que tais episódios não se repitam. A mera reação às consequências não é suficiente. É preciso enfrentar as causas: práticas criminosas de falsificação, ausência de controle e a presença de operadores irregulares no mercado.

Desde 2018, a ABRAFESTA desenvolve uma proposta de certificação setorial baseada em critérios de conformidade fiscal, técnica e sanitária, com objetivo de garantir maior segurança aos contratantes e ao público consumidor. Esta certificação, integrada ao projeto “Evento Legal”, será um instrumento de rastreabilidade, transparência e confiabilidade na cadeia de fornecimento.

Para responder à atual crise, foi instituído o Grupo de trabalho de gerenciamento de crise – Aquisição de bebidas alcoólicas adulteradas e falsificadas, com participação de empresas representativas dos setores de eventos e bebidas. O objetivo é construir um conjunto de diretrizes práticas, auditoria de fornecedores, capacitação de equipes, protocolos de segurança e mecanismos de denúncia.

A ABRAFESTA reafirma que não se trata de oportunismo, mas dá continuidade de uma agenda histórica em defesa das boas práticas, do compliance e da segurança jurídica. O setor de eventos deve ser um espaço de confiança e profissionalismo. Regras bem definidas não geram conflitos, apenas identificam quem está ou não apto a operar de forma responsável.

Este é um momento de ação coordenada e fortalecimento institucional. Assim como em outras crises, como a COVID que gerou o PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) e a reabertura do setor pós-pandemia, a ABRAFESTA está pronta para acolher, orientar e construir soluções junto aos seus associados e demais agentes do ecossistema de eventos.”

Intoxicações por metanol no Brasil

O número de notificações de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica subiu para 113 no Brasil, segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado na tarde desta sexta-feira (3). As notificações incluem casos confirmados e suspeitos, além de mortes.

Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul notificaram seus primeiros casos em investigação. Em todo o país, são 11 casos confirmados e 102 em investigação.

🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiência pulmonar e renal.

Para reduzir o impacto das intoxicações provocadas por essa substância em bebidas alcoólicas adulteradas, o Ministério da Saúde em parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares adquiriu 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, antidoto para esse tipo de intoxicação, e está comprando mais 5 mil tratamentos (150 mil ampolas), para garantir o estoque do Sistema Único de Saúde.

São Paulo

São 91 casos em investigação e 11 confirmados. A capital concentra a maior parte dos casos: 48 em investigação e 8 confirmados (veja tabela abaixo).

Na Grande São Paulo, outros municípios também aparecem com registros:

  • São Bernardo do Campo: 21 em investigação e 1 confirmado
  • Santo André: 4 em investigação
  • Osasco: 4 em investigação
  • Guarulhos: 1 em investigação e 1 confirmado
  • Itapecerica da Serra: 1 confirmado
  • Mauá: 1 em investigação
  • Diadema: 1 em investigação
  • Ferraz de Vasconcelos: 1 em investigação
  • Taboão da Serra: 1 em investigação

No interior e no litoral, os registros são mais isolados. Araçatuba, Cajuru, Jundiaí, Limeira, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São José dos Campos, São Vicente: todos com 1 caso em investigação cada. As autoridades não divulgaram oficialmente a identidade das vítimas, mas a TV Globo e o G1 conseguiram localizar alguns dos pacientes.

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